Reciprocidade
- 17:01
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Um mundo vazio de gente,
Um mundo alegre e contente.
Como seria se nada fosse igual?
Se a bondade fosse banal,
Sem causar dor fisica ou mental.
Como seria se fosses tu e não eu,
Se tivesses o que é meu
E me desses o que é teu?
Se visses pelos meus olhos
Tudo o que eu já vi,
Vivesses o que eu vivi,
Sofresses o que eu já sofri.
Se deres sem receber e receberes sem pedir, fechas-te um ciclo onde poucos entram mas de onde ninguém quer sair.
Silêncio
- 16:49
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amigo omnipresente,
companheiro no ruído
criado fora da minha mente.
Sensível, sincero,
nunca aponta o dedo,
recosta-se no meu ombro
encobre todo o meu medo.
Sem palavra ele diz tudo,
sem gesto abre o caminho,
sem estar perto nem longe
não me deixa estar sozinho.
Se estás aí sei que me escutas,
Sei que sabes onde estou
eu também te ouço...
...shhiu...o Silêncio falou...
.............................................
...Quando o Mundo se cala
o Silêncio fala...
...e mesmo que não entendas....
..se escutares talvez aprendas...
Equilíbrium
- 12:42
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Nos dois extremos do horizonte,
Morte na ponta de uma chama
Vida na água de uma fonte.
Paralelos, paradoxos,
Opostos sem conexão,
Pontas soltas da mesma linha
Que não têm ligação.
Não há verdade sem mentira
Nem noite sem haver dia,
Se o bem não existisse
O mal não existiria.
Não haveria prazer
Se algures não houvesse dor,
Se não soubéssemos sofrer
Jamais daríamos amor.
Os opostos não se reflectem
Não se tocam, não chegam perto,
Mas não existem um sem o outro
Pois nenhum estaria completo.
A Lei que rege a perfeição,
É imperfeita, desafinada:
Do nada se cria tudo
E tudo se torna em nada.
Nos dois lados da balança
Dois pesos presos por um fio
Balanceiam inconstantes
Procurando o Equilíbrio.
Nunca estaremos sempre bem
E nem sempre estamos mal,
Olhando duas vezes o céu
Não o veremos igual.
A linha que define a vida
É mutável, insegura,
Se há algo que nos ensina
É que nem a própria vida dura.
Olha para trás, vê os altos
E baixos que a linha tem,
Se o Equilíbrio reinar
Alegra-te, vives-te bem.
Mãe
- 16:14
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Sem queixas ou lamentos,
Sozinha, sem companhia,
Somente os seus pensamentos.
Altruísta sem rancores,
Jamais conta o quanto dá.
Esconde as lágrimas e dores
Mostra-as quando ninguém está.
Eu sei que choras, eu sei,
Eu sei que sofres e não dizes.
Eu vejo a tua felicidade
Apenas por nos veres felizes.
Sei da dor, sei do amor,
E das noites sem dormir.
Sei do fardo que carregas
Mas que não podes dividir.
Eu sei o quanto me amas
E quero que saibas também,
Que te amo, te admiro,
Que és o meu orgulho Mãe!
Nunca direi que compreendo
Toda a preocupação,
Quando queres os teus filhos
E não sabes onde estão.
É um amor só teu,
Só tu o podes sentir,
Só tu choras quando eu choro
E sorris quando me vês sorrir.
Só tu sabes a dor que sentes
Quando o nosso coração dói,
As rugas que tens no rosto
Provam que ela não mata mas mói.
Não penses que não te ouço
Quando julgas que não ligo,
Os conselhos que me dás
Carrego-os sempre comigo,
E estás no meu peito,
Não importa para onde ele vai.
Nunca esquecerei o que me ensinas...
...Um dia também serei Pai.
Saudade
- 03:28
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Mas a saudade tem sabor, consigo encontrá-lo na tua boca quando te beijo, louco, desesperado por ti. A saudade tem uma cor, ou mil cores que me encandeiam quando te vejo. A saudade tem um cheiro, o cheiro das minha lágrimas quando te espero impaciente... onde estás? A saudade tem um toque, o toque apertado, sufocado, de um abraço sem fim, que grita: "Não vás!". Que pede para ficares. A saudade tem um nome, o teu. Porque de todas as coisas das quais eu tenho saudade, que eu não perdi, que eu não quero perder... de todas as coisas, eu tenho, eu SÓ tenho, saudades de ti. Não vás, fica (só), não me deixes (só), mais um pouco.
Esta saudade mata-me,
Tira-me toda a vontade.
Se estivesse morto e falasse,
Diria que estava morto de saudade...
...vivo mas sem viver.
Morto até te ver.
Controlo
- 05:57
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Afinal o que controlamos? O que significa controlar? Será domínio? Podemos dizer que controlamos o volume do nosso rádio, a temperatura do aquecedor, a intensidade da luz do candeeiro, e ,essas coisas, nada mais são do que luxos, comodismos da nossa vida moderna. E o que não controlamos? A chuva, o frio e o calor, o dia e a noite, o tempo. Quantas são afinal as coisas que controlamos e as que estão para além do nosso alcance? Aquecer a água no banho sabe bem, acalma o frio do nosso corpo, mas quantos de nós já parámos debaixo de uma chuva torrencial para disfrutar do toque das gotas a cairem na nossa face? Quantos de nós ja deixámos de fazer o que fazemos diariamentepara respirar o ar que a brisa do final de tarde traz? Ouvir a música da Natureza que nos chega sob a forma de folhas a chocalhar com o vento de Outono, de pássaros a cantar num frenesim interminável na Primavera, do calor do Sol no Verão que faz o suor correr pelo nosso rosto apenas para nos lembrar que estamos vivos, não para nos bronzear, e da chuva no Inverno, em vez de praguejarmos porque vai causar trânsito ou inundações, escutarmos quando cai,ouvirmos a água a correr e o barulho que faz ao deslizar pelo nosso telhado até chegar ao chão. Que prazer nos dará sentirmos coisas que não controlamos, como o Amor. Não controlamos o Amor que sentimos mas sabemos que apesar de todas as coisas boas que faz por nós também pode causar sofrimento. Não controlamos a chuva que cai, mas, se cair em demasia, pode inundar casas ou destruir plantações .
Fazemos tudo para controlar tudo e no final chegamos à conclusão que não nos cabe a nós decidir o que fica e o que vai, o que nasce e o que morre, e a morte, ou a vida, é o maior exemplo de que nada está nas nossas mãos.
Tudo o que pensamos e fazemos deve-se simplesmente ao facto de estarmos vivos e julgamos controlar a nossa vida. Mas será que controlamos? Qual é o som que o acorda? Queria acordar assim? E quando acorda vai fazer algo que lhe dá prazer? Vai trabalhar? E quando regressa do trabalho come e vai dormir? E quando acorda no dia seguinte qual é o som que o acorda? Queria acordar assim? E quando acorda vai fazer algo que lhe dá prazer? Passou algum tempo com alguém de quem goste? Ou essa pessoa passou por si sem saber o quanto gosta ela? Durante o seu dia o que é que “controlou afinal?
Temos regras para controlar tudo e no entanto essas regras tiram-nos os controlo das nossas vidas. Não fazemos o que gostamos, não estamos onde queremos, não dizemos o que pensamos porque as regras nos impedem de algum modo, em algum lugar. Como o Amor dá felicidade mas também pode trazer sofrimento, e a chuva cultiva plantações ou as destrói, também as regras têm benefícios além das desvantagens, prendem-nos de disfrutar da simplicidade das coisas boas mas também servem para conter as más,pois irremediavelmente o mundo é um conjunto de opostos, e nós, seres Humanos, vivendo nesse mundo, conseguimos paradoxalmente fazer o bem e o mal, embora não consigamos aceitar muito bem esse facto.
Tudo a nossa volta tem um oposto, algo que está no outro extremo e esse facto cria um equilíbrio entre todas as coisas. Luz/escuridão, alegria/tristeza, tudo tem um contrário. Se tomarmos banho de água fria e depois aquecermos gradualmente a temperatura o nosso corpo vai ficar mais relaxado. Se não corrermos para fugir da chuva e pararmos para a apreciar, talvez o facto de estarmos encharcados não pareça tão mau, foi uma opção, decidimos ficar molhados, em vez de ficarmos molhados ao tentar não o ficar.
Penso que se vivermos a vida sabendo que há tanto para sentir e aceitando que nem sempre nos sentiremos bem, retiramos dos nossos ombros o peso do “controlo” que não temos. Podemos remar uma vida toda contra a corrente e não sair do mesmo sítio, ou podemos deixarmo-nos ir e ver onde ela nos leva e talvez até novos caminhos se abram diante de nós para que possamos optar á medida que avançamos.
Se calhar tem a luz acesa enquanto lê isto mas, e se faltasse a electricidade e ficasse ás escuras? Ia resmungar ou acender uma vela e acabar de ler o texto? Pense nisso.
Sou
- 19:01
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Sou opacidade transparente
Sou paciente,impaciência
Sou ingnorante e inteligente.
Sou timidez,sou atrevido,
Sou certo quando tudo está errado
Sou inexperiente e vivido
Sou inculto e viajado.
Sou simples e complexo
Sou começo finalizado
Sou argumento se nexo
Contra facto mais que provado.
Sou criança adolescente
Adulto de terceira idade
Sou decisão inconsequente
Sou sapiência e moralidade.
Sou confuso,sou paradoxo
Sou fruto que a terra deu
Sou ateu sou ortodoxo
Sou todos e sou só eu...
O que sou e o que somos
É resultado da experiência
Para onde vamos,para onde fomos
Daí resulta a nossa essência.
Se não sabes o que és
Olha para o que foste e verás
Que isso te torna no que és hoje
E no que um dia serás...
O que fui e o que sou
Isso estou seguro que sei
O que serei e para onde vou
Talvez nunca o saberei.